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Carta II

Olá!


Como disse na carta anterior, vou contar quais são os tipos de SEGREDOS familiares, são eles: DINHEIRO, SEXO, VIDA, MORTE.


Dessa vez falarei sobre os segredos familiares que versam sobre DINHEIRO.


O dinheiro, na forma de moeda, é a maneira de troca/escambo na nossa sociedade, antes o valor estava nas terras, metais preciosos, especiarias, pau Brasil, etc. Então, trocávamos o que tínhamos para obter o que precisávamos, ao obter o que nos falta para nossa sobrevivência, conseguimos nos manter na vida, por isso o dinheiro está a serviço da vida.


Hoje continuamos fazendo a mesma coisa, trabalhamos para obter o dinheiro para poder nos manter na vida, portanto o que se percebe é essa energia de troca, essa energia permanente mantêm a vida e o movimento.


No momento em que estava escrevendo essa carta parei no parágrafo acima, me deu uma dor de cabeça, daquelas que dá vontade de vomitar de dor, então dormi, ficando vários dias com dor de cabeça, por isso não retomei a escrita.


Agora me dou conta que precisava passar por duas experiências para poder escrever essa carta: uma constelação familiar e o filme Frozen II.


Havia marcado uma constelação familiar para olhar para uma questão profissional, que no exercício da advocacia se repete. Não vou contar minha constelação, mas esse movimento está inspirando minhas palavras.


E também está inspirando minhas palavras o filme Frozen II, da Disney.


Alerta de Spoiler!


O filminho fala de algo que move a Elza em uma direção, no caso uma música que só ela escuta. A música e suas habilidades com o gelo a levaram para floresta encantada onde parte do povo de arendel e o povo da floresta estavam presos e continuavam em guerra.


A música continuava a guiar Elza dentro da floresta e através das memórias que a água guarda, puderam resgatar a verdade.


Ana seguiu a irmã Elza para o floresta. Elza e Ana descobriam que eram filhas dos dois povos em guerra, a mãe era parte do povo nativo da floresta e o pai era de arendel.


Elza e Ana, cada uma por seu turno, descobriu que seu avô construiu a represa para tornar o povo da floresta dependente, os enganando, dizendo que a represa era um presente, mas a represa matava a floresta, então o chefe do povo da floresta foi falar pacificamente com o rei de arendel e foi atacado, iniciando a guerra, além de mentir sobre o motivo do inicio da guerra para o povo de arendel achar que era legítimo em atacar, pois estavam se defendendo.


Então temos:


- a represa

- tendo a permissão de construção baseada numa mentira, que seria algo bom para o povo da floresta

- a represa só é boa para arendel

- a guerra foi iniciada pelo avô de Elza e Ana para manter a vantagem, atacando o chefe do povo da floresta e mentindo que foi o povo da floresta que atacou primeiro para justificar a guerra.


E se extrai:


- a mentira para tomar o território

- o engano/engodo para manter a vantagem sob as terras alheias

- a guerra/violência para manter a vantagem


Voilá, temos as questões relacionadas a DINHEIRO que se tornam um segredo nas familias, seja pela passagem do tempo, seja para esconder o ardil, ou para manter a vantagem ou por vergonha de encarar a verdade.


Então vamos transportar para o fora da historinha. Os espanhóis e portugueses chegaram a América do Sul para obter vantagem, dizimaram os índios e levaram as riquezas minerais e vegetais para o seu país.


Isso segue atuando sobre nós. Como isso atua nos dias de hoje?


*Quando no exercício profissional ou empresarial nos valemos de um engano, engodo ou mentira para obtermos uma vantagem e após isso silenciamos.


*Quando somos empresários, para obter lucro, nós prejudicamos o meio ambiente despejando detritos/resíduos tóxicos na natureza. Ainda que o empresário seja excelente chefe, que pague os empregados direitinho e que produza muitos empregos, a natureza é de todos e atinge um número muito maior de pessoas que o número de empregos que possa gerar.


*Quando contrato um serviço, combino o preço, recebo o serviço e não pago por ele, usando algum ardil que pode ser desculpas esfarrapadas para não pagar ou contando uma história triste para si mesmo dizendo que não devo pagar pelo serviço.


*Quando sou contratado para realizar um trabalho, combino um preço, não realizo o trabalho ou realizo pela metade e quero receber o preço inteiro.


Dessa forma, imitamos um padrão de relacionamento, agimos igual aos portugueses que chegaram na nossa costa, acharam que eram legítimos para pegar o que quisessem, que haviam “descoberto” um local habitado por “selvagens” e que portanto era deles e usaram de violência para manter o vantagem, e mais, acharam que estavam sendo bons quando ensinavam os seus costumes.


Essa forma de inicio determinou o futuro do Brasil, o Brasil hoje é assim graças a essa história, que foi desse jeito. Em razão da nossa colonização, dessa forma, as gerações seguintes no Brasil e em Portugal, carregam a história e as conseqüências das ações dos antepassados, e também carregamos as conseqüências em relação ao dinheiro, e essas conseqüências são menores para nós, para a geração seguinte sempre é mais leve, pois a geração seguinte tem mais informação que a anterior, porque os que vieram antes já fizeram o percurso mais pesado, nós caminharemos agora o percurso leve, e em relação a geração seguinte estamos caminhando o mais pesado e na geração seguinte será mais leve, porém ainda seguimos repetindo padrão de comportamento em relação ao dinheiro.


E o que fazer? Será assim ad eternum? Pagaremos o preço pela colonização sempre?


Não, se olharmos para tudo como foi, deixar o passado no passado, agradecer profundamente pelo aprendizado, podemos seguir.


Fácil! De escrever sim, mas de fazer é mais difícil, porque não é só entender, é integrar na alma.


Quando nos referimos aos povos originários, os índios, nos referimos como? Com desrespeito, seguimos tomando as terras deles, queimando a mata e invadindo seus espaços e os marginalizando.


E aos portugueses? Nos referimos a eles fazendo piadas e diminuindo, buscamos excluir da nossa fala os sobrenomes portugueses, quando nos é perguntado nosso nome, só não excluímos se todos os sobrenomes são portugueses, mas buscamos usar os de outra nacionalidade. Eu mesmo faço isso no facebook, uso na informalidade meu nome e sobrenome italiano e na formalidade incluo o sobrenome português. Ocorre que temos mais tempo de vida na informalidade ou na formalidade?


E com os Africanos? Nos vitimizamos e revitimizamos, nos queixamos e lamentamos como coitadinhos da história, nós cruzamos a rua se vemos um negro mal vestido, pois pode ser um assalto, o negro é o que está preso (como na época da escravidão), o cabelo do negro é o ruim.


E os demais povos formadores do Brasil: italianos, alemães, poloneses, japoneses, chineses, árabes, etc? Nós nos queixamos, dizendo que esse país não é bom, que o que está lá fora é que bom, não somos gratos a terra que nos acolheu, acolheu nossa família e que estamos aqui há várias gerações vivos e sem guerra.


Enquanto nos queixamos e lamentarmos, nos partimos em vítima e algoz de modo a escolher um lado, não estamos na solução e muito menos na gratidão e no seguir em frente, enquanto tivermos essa atitude, seguiremos repetindo até aprender a lição.


Agora vamos voltar novamente a historinha do Frozen, porque eu disse, mas o desenho, desenha o que eu disse....hahahhaha


Qual foi a solução na historinha do Frozen II? As irmãs, parte dos dois povos, viram que foi o avô que iniciou a guerra e ambas souberam o que era preciso fazer para restabelecer a paz entre os povos, destruir a represa.


Elza descobriu o que o avô fez, mas se perdeu nas emoções e foi paralisada, Ana por sua vez também viu, também soube o que era necessário fazer, mesmo sem a magia, partiu para ação, mesmo que significasse destruir a cidade. Quando Ana destruiu a ponte, Elza se descongelou e conseguiu parar a onda que destruiria arendel.


O que esse desenho nos ensina?


Ele desenha o que devemos fazer com a nossa história como brasileiros. Sem criticar o avô ou vitimizar o povo da floresta, tomou a ação necessária para restabelecer o causador do dano, ainda que com alto custo (possibilidade de destruir arendel).


O que significa não criticar o avô e não vitimizar o povo da floresta? É entregar o passado nas mãos daqueles que viveram essa história, deixar com eles, porque graças a essa história como foi somos milhares de Elzas e Anas, partes de todos os povos formadores do povo brasileiro, vivem em todos nós, todas as histórias de ambos os lados.


Eu sou filha dessa terra, porque descendo dos índios, sou filha de Portugal, sou filha da África, sou filha da Espanha, sou filha da Itália, sou filha da França, todos esses povos vivem em mim, temos a potencialidade de todos eles em nós. Sou um coquetel de raças, como diz minha mãe.


E o que fazer para romper a represa? Aqui lembro de uma frase do Osho, que foi o início do rompimento da minha represa: “Sempre que houver alternativas, tenha cuidado. Não opte pelo conveniente, pelo confortável, pelo respeitável, pelo socialmente aceitável, pelo honroso. Opte pelo que faz o seu coração vibrar. Opte pelo que gostaria de fazer, apesar de todas as conseqüências.”


Tá ok, tá ok, tá ok! Misturou Bert Hellinger com Frozen, agora entrou o Osho. Que miscelânea! Vais chamar mais alguém para roda? O que tem isso a ver com dinheiro?


Véi, te dei um desenho de criança para entender os segredos de família que envolvem dinheiro.


Qual o música que te chama numa determinada direção? Siga a música...


O dinheiro está a serviço da vida, se desrespeita ou atenta contra a vida, ele mesmo encontra uma forma de voltar a servir a vida, de seguir transformando na troca.


Um segredo só vem a tona se ele precisa ser visto, e ao ser visto se entrega as conseqüências ao envolvidos, agradecemos pelo aprendizado e seguimos em frente para o futuro, com a possibilidade de fazer diferente acrescidos de toda a sabedoria envolvida do que aprendemos.


Então, se eu fui lesada, o que posso fazer, perdi dinheiro, há duas possíveis ações, tentar reaver de forma justa ou injusta, essas duas formas tem conseqüências; ou verificar que perdi o dinheiro, contribui para o resultado, me responsabilizo pela minha parte e sigo em frente, sem me queixar ou lamentar, trabalho para conseguir mais com amor e gratidão, integrando o episódio no meu coração de forma genuína e não fictícia como costumamos fazer, nos enganando. Até porque se você tentar se enganar você vai repetir a mesma história na próxima curva da estrada, mostrando para você que não integrou coisíssima nenhuma, ao passo que se você integrar no seu coração, na próxima curva você ganha mais.

E aquele que ficou com o dinheiro? Esse dinheiro em seguida é perdido ou consiste em um peso tão grande, que em determinando momento terá que abrir mão.


E você? Porque quer saber o que acontece com aquele que obtém a vantagem indevida? Significa que você não seguiu em frente, que no fundo está querendo que o outro se estrepe. Seguir em frente é deixar tooooda a história para trás, inclusive a conseqüência para o outro.


Aqui me despeço,


Alice Brocardo de Lima X.

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